terça-feira, 18 de março de 2008

The Dead 60's




The Dead 60's (2005)









Time To Take Sides (2008)






Hoje em dia a molecada associa o punk rock a esse tal emocore ou no máximo ao hardcore tipo NOFX ou Bad Religion; alguns anos atrás eram Green Day ou Offspring, que não são lá assim tão punks (isso pra ser beeeem condescendente). Sem contar as bandas pré-punk como The Stooges e Ramones, para mim, o punk rock, nascido na Inglaterra, desde seu início sempre foi dividido por duas principais vertentes; se por um lado temos a tal da ‘atitude’, a anarquia, o visual e tudo o mais dos Sex Pistols, do outro temos a musicalidade livre de preconceitos e o engajamento do The Clash. Essas duas bandas foram e são as mais importantes do punk rock, pois definiram tudo o que viria depois delas. Obviamente, não só pelo tempo de carreira quanto, também, pela quantidade de discos lançados, The Clash foi a que mais influenciou musicalmente zilhares de bandas surgidas desde então.
Todo esse rodeio pra quê? Seria difícil apresentar The Dead 60’s sem falar do The Clash, pois a maioria das músicas da banda soa realmente como a de Strummer, Jones, Simonon e Headon; eu disse soam e não que são copiadas...
Seguindo a velha máxima de que na música tudo se recicla, Matt McManamon (vocais e guitarra), Ben Gordon (guitarra e órgão), Charlie Turner (baixo e vocais) e Bryan Johnson (bateria) colocaram também na sua fórmula muito de The Specials, Gang Of Four, Television, King Tubby, muito reggae, dub, ska, funk e, logicamente, muito rock & roll. Os caras também são ingleses, mas de Liverpool, terra de ‘vocês-sabem-quem’; começaram como Resthome, mas logo mudaram o nome para Pinhole; depois de lançarem dois EPs deram um tempo para repensar seus rumos musicais. Re-emergiram como The Dead 60’s em 2005, quando lançaram seu primeiro disco e se apresentaram várias vezes tanto na Europa quanto nos EUA. Depois de muitos shows, a merecida pausa para descanso e para um novo álbum. As gravações demoraram e a data inicial de lançamento prevista para setembro de 2007 foi sendo adiada até o começo deste ano, quando finalmente saiu ‘Time To Take Sides’, um título bastante profético, ou pelo menos sensato, pois talvez mostre o momento pelo qual os músicos estavam passando, já que no dia 8 de fevereiro divulgaram que apesar de ainda serem amigos e tudo o mais, resolveram se separar definitivamente. Como diria Neil Youngis better burn than fade away’…
Dos dois discos, o primeiro é bem mais levado pela influência punk/reggae, com gravação meio ‘low profile’, deixando aquele ‘gosto’ de discos das antigas; já o segundo tem algo mais indie, mais pop e aponta para outras e novas direções; os dois são recheados de refrões pegajosos, melodias assoviáveis, ritmos dançantes e letras muito boas também. Gosto muito do primeiro e já estava querendo postá-lo aqui há muito tempo, aproveitei o disco novo pra fazer isso. Agora, se você é daqueles que só escutam os artistas que são a fonte de outros, a escolha é sua, vá de The Clash ou Bob Marley ou Robert Johnson... Se não, delicie-se com o The Dead 60’s porque realmente vale à pena, ainda mais de graça...

The Dead 60’s
15 faixas, VBR 128/256, 58,53mb
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Time To Take Sides
11 faixas, VBR 192/224, 62,4mb
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6 comentários:

alice in wonderland disse...

amigo, adoro o primeiro disco deles, dá vontade de cantar junto da primeira a ultima musica. agora quero ver se esse outro também é tao bom.
bêjos.
alice

Robur, The Loch Ness Monster disse...

Nem só de prog vive um roqueiro.
Valeu, Marcelo.

Sergio disse...

Maddy, nos tempos em que era prog-fã-radical, dos 70 ao cabo dos 80’s odiava o punk. Natural, né? Foi a internet que me fez repensar meus conceitos. Aliás, o apuro do gosto pela música, devo em 90% à Rede. Não que eu tivesse mau gosto, mas era muito radicalzinho e cheio de novehoras com o que não fizesse parte dos pouquíssimos estilos que me apeteciam. No fim das contas, muito do que eu amava nem aturo mais e bastante do que execrava, hoje, no mínimo tenho o maior respeito, como, por exemplo , o punk rock.

Foi pela rede que descobri e baixei muita coisa dessa banda que espero estar te apresentando. Espero, porque a banda representa o mais profundo e, este sim, radical conceito do que é ser punk de verdade. E te digo que, para esses radicais do movimento, os Sex Pistols e The Clash eram uns vendidinhos burgueses de butique. O som dos caras, sinceramente, eu ouvi com curiosidade, gostei de alguma coisa aqui outra lá no distante acolá, mas é tudo sujo e podre demais para os meus padrões estéticos (burgueses). O maior barato, então, meu caro Maddy, é a história da banda. Por isso fiz mistério quanto ao nome e, também, por isso - até por uma questão de vaidade sim, pq não? Por, quem sabe, ter encontrado primeiro... Afinal não pode ser à toa que a bunda achata aqui, nessa cadeira e nessa onda de Indian Jones Virtual! -, desejei estar te apresentando algo realmente novo e instigante de conhecer. Vai no link:

http://centralpunkrock.blogspot.com/2007/02/biografia-e-discografia-do-crass.html

Marcello L. a.k.a. Maddy Lee disse...

Alice,
esse segundo não é tão 'pegajoso' quanto o primeiro, mas acho que você vai curtir muito, também.
Robur,
meu negócio é música, seja lá qual for o ritmo, gênero ou estilo, contanto que passe no meu 'controle de qualidade' muito particular... rsrs
Serjão,
normal, né não? Quando eu era moleque ia pra festinhas 'discoteque' com os LPs do Zeppelin debaixo do braço. Como eu decidi me afastar dos preconceitos, acabei abraçando etilos musicais diversos com a mesma vontade, é claro que muita coisa ficou pelo caminho. Agora, quanto ao Crass, conheço bem, e definitivamente concordo com o Jello Biafra, eles são radicais demais, e extremismos não me cheiram muito bem. rsrs Na verdade, acho que o som deles não é lá essas coisas, e como o meu negócio é música...
Abraços pra todos.
ML

Sergio disse...

Bem, eu disse que a história deles era, no mínimo, mais intensa que a música. Sua resposta não deu só pra entender se já a conhecia - por exemplo, a parte do Jello, está nesse texto q te mandei -, ou tomou pé dos detalhes pelo texto.

O fato é que, extremismos nunca fizeram bem à idealismo algum, mas, sinceramente, admirei muito a convicção dos caras do Crass.

Tem uma outra banda QUASE tão radical que gostei mais, chama-se Fugazi. O disco The Argument, gosto muito!

Tbm concordo em GNG: meu negócio é música, mas adoro informações relevantes. E Crass, definitivamente, não é irrelevante, concorda?

Aliás, não foi à toa que fiquei rondando teu blog esperando pela resposta. Claro! Era feriado...
Valeu!

Marcello L. a.k.a. Maddy Lee disse...

Fala, Serjão!
Pois é, feriadão, aproveitei pra dar uma chegada ao Rio, rever amigos, etc.
O Crass já conheço há tempos. Como você mesmo disse, nem é tão difícil encontrar coisas deles na rede, principalmente se estivermos procurando. Mas me 'apropriei' da declaração do Jello Biafra nesse texto, sim, afinal ele tá mais do que certo. Você tem toda razão, os caras são tudo, menos irrelevantes, pena que pouca gente de fora do 'círculo' punk os conheça ou, pelo menos, a história deles. Informações, contextualizações, etc, muito me interessam também, por isso, tentando me redimir por não ter feito isso antes, te agradeço imensamente.
O Fugazi (excelente!) também segue uma linha coerente com a proposta punk, fidelíssimos que são ao estilo de vida, além disso fazem discos muito bons também - não sei como els ainda não fizeram um site distribuindo gratuitamente todas as suas músicas... rsrsrs

- Aviso aos nevegantes: esse espaço aqui, definitivamente, é justamente para isso, trocar informações, como eu sempre digo, COMPARTILHAR.

Serjão, é sempre um prazer bater esses papos contigo.
Abração!
ML