
Eu andava meio sem idéia do que postar aqui n’
O Pântano Elétrico, depois desses últimos meses sem postagens. Na verdade, estou bem satisfeito com as postagens sem textos que venho fazendo no
Plano Z; tanto que até pensei em abandonar de vez o Pântano... Mas... Tem sempre um “mas” no meio do caminho! Certas coisas que acontecem podem ser vistas como sinais, algum tipo de conspiração universal, coincidência, etc, e é sempre bom estar atento a esses sinais, mesmo que sirvam somente como inspiração para alguma coisa.

E foi o que aconteceu: outro dia eu estava lendo um jornal e na seção cultural tinha uma nota dizendo que
Brendan Perry, fundador do
Dead Can Dance,

estava em processo de composição e gravação, junto com
Lisa Gerrard, de um possível novo disco, com previsão de lançamento para o ano que vem. O último disco, ‘
Spiritchaser’, é de 1996, ou seja, foi lançado há “longínquos” 15 anos, e depois dele tanto
Brendan Perry quanto
Lisa Gerrard investiram em suas carreiras solo;
Lisa ganhou um
Globo de Ouro por sua colaboração na trilha sonora do filme ‘
O Gladiador’ e, em 2005, ambos esboçaram um retorno do
DCD (com vários shows pela Europa e Estados Unidos). Ler essas coisas me fez pensar em como tive meu primeiro contato com o som do
Dead Can Dance.

Em plenos anos 80, naquela efervescência de Rock BR, New Wave, Rock In Rio
, Heavy Metal, Hard Rock de laquê, anistia, abertura política, fim do regime militar, Rádio Fluminense, entre muitas outras coisas, existia também um tipo de movimento post punk bem soturno, tendo como expoente máximo a banda inglesa
The Cure – eram os ‘darks’, que depois viraram ‘góticos’ -, e ‘O’ lugar dos
darks nessa época, ao menos no Rio, era o
Crepúsculo de Cubatão (misto de danceteria e inferninho), aonde os
pré-emos davam as caras.

Fui ao
Crepúsculo umas 4 ou 5 vezes e lá conheci o
Pedro Smurf, tremenda figura, que virou grande amigo, mas nos deixou cedo demais, como só os bons sabem fazer... Foi ele que, num dia de pouca inspiração sonora para mim, me apresentou o
Dead Can Dance. Estávamos na casa dele, fazendo uma fumaça e escutando uns roques, mas nada do que tocava me agradava; falei “
eu queria ouvir alguma coisa realmente diferente do que tenho ouvido ultimamente”, e aí o cara sacou uma indefectível
Basf Chrome 60 contendo as melhores músicas dos dois primeiros discos da banda. Aquilo era REALMENTE diferente do que vínhamos escutando nos últimos anos, muito à frente do seu tempo, e me conquistou no ato. De lá pra cá, o
DCD jamais me decepcionou e seus álbuns se tornaram muito especiais para mim.

Voltando ao dia em que li aquela nota no jornal, fiquei viajando nessas lembranças enquanto esperava a carona pra voltar pra casa. Já no carro,
Sean, o filho de 6 ou 7 anos da minha amiga
Cathy, começou a nos contar um sonho (extremamente surreal e psicodélico, como só as crianças conseguem - rsrs) que teve na noite anterior, onde, entre outras coisas, zumbis dançavam numa boate sob

um globo de espelhos – ops, mortos dançando?!?!? Pra completar a equação, no dia seguinte enquanto a digníssima
Mrs Lee colocava meus CDs em ordem, ela perguntou “
que porra de banda é essa?!?!” Era a coletânea ‘
A Passage In Time’ (que, se eu não me engano, até já postei aqui). Foi aí que eu decidi que essa seria a discografia que eu iria postar no retorno às postagens no Pântano. Enfim, é sempre bom estar atento aos sinais! rsrs Detalhe: comecei a escutar todos os discos pra ver se estavam em condições para postagem e a moça acabou se rendendo aos encantos dessa porra de banda. rsrsrs

Acabei não escrevendo nada sobre o
DCD, mas sobre eles há muito material a ser lido na internet; então, vou colocar uns links para aqueles que têm alguma curiosidade. Para quem ainda não conhece o
DCD, posso dizer que eles fazem um tipo de world music, com uma mistura mega-eclética de sons de origens de vários lugares e épocas diferentes do mundo, seja pelas percussões acentuadamente africanas e/ou árabes, o folk com tinturas célticas e gaélicas, as influências eruditas, hindus, eurasianas e seja lá mais o que for que deve ter passado pelos ouvidos desses australianos, gerando uma música moderna e antiga ao mesmo tempo, um prog folk melancólico, bem avant-garde e de qualidade extrema, pra lá de original e totalmente inclassificável conforme os padrões do mercado.

Estão disponibilizados aqui 14 discos: os 7 oficiais de estúdio, 1 ao vivo oficial, 2 bootlegs (excelentes), 1 EP, uma coletânea oficial e duas não oficiais (com faixas nunca lançadas, raridades, etc). Agora só falta a contribuição de vocês com um comentário. Como sempre, divirtam-se!