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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Guðmundsdóttir, A Islandesa Genial

Björk faz parte daquele time de artistas que despertam extremos, coisas do tipo ame ou odeie; na minha maneira de ver, amando ou odiando, não se pode ficar indiferente à qualidade de seus trabalhos; também, não há como negar a sua autêntica genialidade.
Talvez Björk já tenha nascido cantando ou, ao menos, tentando transformar seus berros de bebê recém nascido em música (o que ela faz até hoje... rsrs), tanto que em sua infância ela ficou conhecida por cantar músicas folclóricas islandesas em programas de TV, o que a levou a lançar seu primeiro disco com a idade de doze anos. Com sua musicalidade aflorando junto com sua própria vida, aos poucos a música que ela ouvia no rádio foi influenciando seu destino musical, tanto com o punk rock quanto com o pop dançante, ou com a música eletrônica de bandas como Kraftwerk, o pós punk do The Cure e Siouxsie & The Banshees, ou ainda jazz, world music e o que mais suas antenas captassem.

Desde garotinha ela fez parte da várias bandas, mas começou a ganhar uma maior notoriedade nacional com o KUKL e, em seguida, com o estouro internacional do Sugarcubes (que sempre foi elogiadíssimo pela crítica especializada, tanto por seus discos quanto por seus shows). Com o Sugarcubes o mundo começou a prestar atenção naquela garota de beleza exótica, com uma voz e maneira de cantar mais exótica ainda e que, com sua presença e carisma, se tornaria maior que a própria banda, levando-a a um derradeiro e precoce fim.
Antes de seguir sua careira solo propriamente dita, ela ainda participou de vários projetos, entre eles o disco chamado ‘Gling-Gló’, que gravou com o Trió Guðmundar Ingólfssonar, numa proposta mais jazzística, em que misturam standards e músicas islandesas.

Finalmente, em 1993, ela iniciou oficialmente sua carreira solo com o disco ‘Debut’ e desde então não deixou de surpreender crítica e público com sua música e todo o conceito de sua obra, tendo ainda escrito um capítulo à parte na história dos vídeo-clipes.
O segundo disco, ‘Post’, traz um repertório ainda mais eclético, com vários destaques; entre eles as faixas ‘Army Of Me’, ‘Hyper-Ballad’, ‘Isobel’ e ‘It’s Oh So Quiet’ (que na verdade é uma versão da música ‘Blow A Fuse’, de Betty Hutton) com seu divertido vídeo-clipe dirigido por Spike Jonze.
Desde o início, uma das maiores características dos trabalhos de Björk é a maneira como ela consegue misturar gêneros e tendências musicais de uma maneira única, seja do pop mais palatável aos experimentais caminhos da música de vanguarda. Ela também sempre soube se cercar dos melhores produtores, arranjadores e músicos, tanto que elegeu Eumir Deodato como o melhor arranjador de cordas (com justiça, diga-se de passagem) e convidou-o a participar de seu disco ‘Homogenic’ que, aliás, talvez seja o disco com a maior aproximação com a eletrônica e o drum ‘n’ bass.

Entre gravações e shows, Björk ainda encontra tempo pra sua vida pessoal e pra trabalhar como atriz, sendo que chegou a ganhar um prêmio como melhor atriz no Festival de Cannes, por sua interpretação da sonhadora Selma no filme ‘Dançando no Escuro’, de Lars Von Trier, que ela descreve como a experiência mais traumática de sua vida. A trilha sonora deste filme também é dela, o que levou à indicação como ‘Melhor Canção Original’ no Oscar de 2001, com a música ‘Ive Seen It All’, em que divide os vocais com Thom Yorke (Radiohead) – essa trilha resultou no disco ‘SelmaSongs’.

Em 2001 foi lançado o disco ‘Vespertine’, onde Björk conseguiu aliar batidas eletrônicas, orquestra, instrumentos acústicos e elétricos de maneira incrivelmente delicada e sutil, num verdadeiro trabalho artesanal e requintado.
Já em ‘Medúlla’, de 2004, até aqui o seu disco mais experimental, pouquíssimos instrumentos foram utilizados, porque é quase que totalmente feito a capella, seja com vocais au naturel ou processados por efeitos ou sampleados e, ainda, com beat boxes humanas, tendo poucas intervenções de instrumentos como piano ou baixo sintetizado; esse disco também conta com as participações de Mike Patton, Tagaq, Robert Wyatt, The Icelandic Choir e Rahzel (The Roots), entre outros.

‘Volta’, de 2007, foi seu último lançamento até o momento, e é um disco em que ela consegue fazer uma mistura bem homogênea de vários aspectos de sua carreira, algo entre o pop e o experimental, e ainda traz uma boa dose de influências da música africana.
Björk também ficou conhecida por ser uma ativista política, se engajando em prol de várias minorias e inúmeras causas justas, de aspectos comos os direitos das grávidas a causas sociais, humanitárias e ambientais, em âmbito mais universal. Ultimamente vem dedicando, em seus shows, a música ‘Declare Independece’ aos países que sofrem com suas tentativas de libertação nacional, como Tibet e Kosovo.


Estou disponibilizando aqui os seis discos considerados oficiais da sua carreira solo, mais ‘Gling-Gló’ e as duas trilhas sonoras que compôs – a já citada ‘SelmaSongs’, e ‘The Music From Matthew Barney’s Drawing Restraint 9’, do filme ‘Drawing Restraint 9’, de seu marido Matthew Barney (que talvez seja tão experimental quanto a sua trilha sonora). Procurei incluir todos os encartes, mas eu não tenho o CD ‘Ging-Gló’; a caixa com o encarte do ‘SelmaSongs’ me foi roubada (ainda bem que sem o CD – hehehe) e ‘Medúlla’ tem o encarte preto escrito em roxo escuro, de forma que ficou impraticável escanear.
Como sempre, divirtam-se e, se possível, comentem.


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